Um painel de especialistas recomendou aos reguladores americanos a aprovação do flibanserin, a primeira droga para estimular a libido feminina, desde que medidas adicionais sejam tomadas para garantir a segurança da medicação.
- O mecanismo de ação do sildenafil, inibindo a fosfodiesterase tipo 5, aumenta o fluxo sanguíneo genital, o que pode teoricamente melhorar a lubrificação e a sensibilidade.
- A Agência Europeia de Medicamentos nunca aprovou o sildenafil para tratar qualquer forma de disfunção sexual feminina.
- Alguns médicos em Portugal podem prescrever sildenafil a mulheres em casos excecionais de hipertensão pulmonar, uma indicação aprovada independentemente do sexo.
- A falta de eficácia demonstrada em grandes ensaios clínicos levou a que a maioria das farmacêuticas abandonasse o desenvolvimento do sildenafil para mulheres.
- O uso recreativo de sildenafil por mulheres jovens não é comum em Portugal e não há dados que sustentem a sua segurança nesse contexto.
- As farmácias comunitárias não dispensam sildenafil sem receita médica, independentemente de quem o solicita.
A FDA (em inglês), agência que regula o setor de remédios e alimentos nos Estados Unidos, já havia rejeitado esse medicamento duas vezes, alegando que sua eficácia foi muito modesta em comparação ao placebo.
| Entidade reguladora | Estado atual | Indicação aprovada | Utilização off-label |
|---|---|---|---|
| INFARMED | Não aprovado para mulheres | Apenas disfunção erétil masculina | Possível com prescrição médica |
| EMA | Sem indicação feminina | Nenhuma | Responsabilidade do médico prescritor |
| FDA | Não aprovado para disfunção sexual feminina | Nenhuma | Uso experimental em ensaios |
| Ordem dos Farmacêuticos | Recomenda precaução | Não aplicável | Dispensa mediante receita válida |
Embora a agência não seja obrigada a seguir os conselhos do painel, costuma fazê-lo com frequência. Agora, a comissão de especialistas votou, por 18 a 6, a favor da entrada do “viagra feminino”, do laboratório americano Sprout Pharmaceuticals, no mercado.
- Em Portugal, existem alternativas terapêuticas aprovadas para a disfunção sexual feminina, como a flibanserina, embora com eficácia modesta e efeitos secundários significativos.
- A educação sexual nas escolas portuguesas aborda a fisiologia da resposta sexual, mas raramente menciona fármacos como o sildenafil no contexto feminino.
- O sildenafil pode causar hipotensão, especialmente se tomado com medicamentos anti-hipertensivos, um risco relevante para mulheres com hipertensão arterial.
- As mulheres que tomam nitratos para angina de peito têm contraindicação absoluta ao sildenafil, tal como os homens.
- Não existem estudos de longo prazo sobre os efeitos do sildenafil na fertilidade feminina ou na saúde do endométrio.
Entre as preocupações dos que votaram contra, estão as interações negativas com o álcool, os riscos de desmaio, sonolência, pressão baixa, enjoos e a ausência de dados sobre os efeitos do uso do medicamento em longo prazo.
- O sildenafil não é metabolizado de forma diferente em homens e mulheres, mas as diferenças hormonais podem influenciar a resposta vascular ao fármaco.
- Em Portugal, a publicidade a medicamentos sujeitos a receita médica é proibida, pelo que não existem campanhas sobre "sildenafil feminino" nos meios de comunicação social.
- A toma de sildenafil pode causar priapismo do clitóris, uma condição rara mas dolorosa que requer atenção médica imediata.
- Não há evidência de que o sildenafil melhore a qualidade dos relacionamentos ou a comunicação entre parceiros, aspetos centrais na saúde sexual feminina.
- O sildenafil pode ser detetado em análises toxicológicas, o que pode ter implicações legais ou profissionais para algumas mulheres.
A maioria afirmou, porém, que a aprovação do flibanserin dará pela primeira vez uma alternativa às mulheres com baixo interesse sexual. Eles ressaltam que, além de se especificar as contraindicações na bula, é necessário orientar os médicos e continuar os estudos, mesmo após a comercialização. A recomendação favorável ao flibanserin acontece após meses de pressão do fabricante desse tratamento, destinado a mulheres que não chegaram à menopausa, mas apresentam baixo desejo sexual.
Como funciona
"Vimos que o mindfulness também atua sobre a miríade de pensamentos negativos que as mulheres com problemas sexuais têm de si mesmas, reduz o nível de autocrítica e aumenta a autocompaixão." Prause acredita que, a essa altura, a indústria farmacêutica tenha desistido de procurar uma pílula que resolva os problemas sexuais das mulheres. "O que tenho visto são startups tocadas individualmente por alguns cientistas com ideias mais inovadoras." A sua startup, a Liberos, ainda realiza pesquisas, mas recentemente a cientista voltou à UCLA. Da última vez em que esteve ligada à universidade, em meados dos efeito colaterais sildenafil anos 2010, ela começou a enfrentar dificuldade para continuar seus experimentos em psicofisiologia sexual quando um "senhor" que tinha bastante poder sobre a política de financiamento de pesquisa na instituição "parecia realmente incomodado" com o que ela se propunha a investigar. "Eu sempre amei a universidade, a ideia de ser cientista, de descobrir conhecimento - isso sempre teve mais apelo pra mim do que o mercado. Ele se aposentou, eu voltei", ela conta.
6. Ginseng
Desta vez, ela tentou se colocar numa posição que considera mais segura. Está no departamento de Medicina, focada em áreas ligadas à sexualidade feminina, mas agora como estatística. "Eu brinco que ninguém precisa de um sexólogo, mas todo mundo precisa de um estatístico…" Depois de trabalhar com a pesquisa do viagra, Boolell se afastou dos testes clínicos relacionados à sexualidade. Passou por outras farmacêuticas na Suíça, França e Estados Unidos, mas em setores ligados às cardiopatias e à diabetes, suas áreas de expertise. No fim da conversa por telefone, a reportagem pergunta se ele acha que uma droga vai algum dia resolver os problemas sexuais das mulheres.
5. Maca peruana
"Seria triste se fosse uma pílula, né? Acho que somos mais do que isso." "As pessoas hoje querem uma pílula para tudo - para perder peso, resolver seus problemas sexuais. Mas o corpo é muito mais do que isso. Nós somos resultado de milhões de anos de evolução. O corpo humano é uma máquina incrível - e acreditar que uma pílula pode resolver todos os problemas é uma visão acanhada." Sabia que a BBC está também no Telegram? O caso provocou polêmica, e grupos feministas lançaram abaixo-assinados pela aprovação do medicamento. Em um deles, o grupo Even The Score acusou a FDA de sexismo por ter rejeitado o flibanserin duas vezes, enquanto o Viagra já era vendido desde 1998 para tratar a disfunção sexual masculina.
| Produto | Dosagem | Quantidade + Bónus | Preço | |
|---|---|---|---|---|
| Viagra Genérico | 50mg | 90 + 6 comprimidos | 107.37€ 102.26€ | |
| Levitra Soft Tabs | 20mg | 20 comprimidos | 74.68€ 71.12€ | |
| Cialis Professional | 20mg | 60 + 2 comprimidos | 183.83€ 175.08€ | |
| Cialis Professional | 20mg | 30 comprimidos | 104.57€ 99.59€ | |
| Levitra Genérico | 60mg | 30 + 2 comprimidos | 109.43€ 104.22€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 270 + 10 comprimidos | 270.47€ 257.59€ | |
| Cialis Original | 20mg | 8 comprimidos | 61.70€ 58.76€ | |
| Levitra Genérico | 20mg | 60 + 6 comprimidos | 131.11€ 124.87€ | |
| Cialis Black | 80mg | 90 + 6 comprimidos | 207.88€ 197.98€ | |
| Viagra Genérico | 200mg | 60 + 4 comprimidos | 125.19€ 119.23€ | |
| Viagra Professional | 100mg | 360 + 6 comprimidos | 527.09€ 501.99€ | |
| Apcalis SX Oral Jelly | 20mg | 10 saquetas | 58.75€ 55.95€ | |
| Levitra Genérico | 10mg | 120 + 10 comprimidos | 178.59€ 170.09€ | |
| Kamagra Oral Jelly | 100mg | 220 + 18 saquetas | 662.24€ 630.70€ |
Em 2010, a FDA rejeitou uma primeira solicitação.
| Mecanismo | Local de atuação | Efeito fisiológico esperado | Relevância clínica |
|---|---|---|---|
| Inibição da fosfodiesterase tipo 5 | Tecido erétil clitoridiano | Aumento do GMPc e vasodilatação | Melhoria da ereção clitoridiana |
| Relaxamento do músculo liso vascular | Artérias pélvicas e vaginais | Maior fluxo sanguíneo regional | Aumento da lubrificação vaginal |
| Modulação do óxido nítrico | Endotélio dos corpos cavernosos | Potenciação da resposta ao estímulo sexual | Facilitação da excitação subjetiva |
| Redução do tónus simpático local | Plexo nervoso pélvico | Diminuição da vasoconstrição | Melhoria da vasocongestão genital |
Logo depois, o flibanserin foi vendido por seu desenvolvedor inicial, o laboratório alemão Boehringer Ingelheim, para o Sprout Pharmaceuticals.
Possíveis efeitos colaterais
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Transtorno de excitação sexual feminina e a promessa do Viagra
Com acesso aos dados da pesquisa, chamaram-lhe atenção os registros diários dos relatos dados pelas participantes aos pesquisadores e o fato de que as mulheres que estavam no grupo placebo também tinham experimentado aumento da libido. "A partir do momento em que as mulheres começaram a se perguntar sobre desejo, elas passaram a sentir desejo! Não seria mais barato comprar um diário do que tomar uma pílula? "Nós obviamente depreendemos de dados como esses que o desejo é uma experiência complexa. Não é como uma bolha que estoura, é uma experiência consciente.
7. Ginkgo biloba
E se a única maneira pela qual você consegue medir é perguntando às pessoas, o dado é enviesado. É diferente de uma ereção, que é algo observável. A excitação feminina é tão mais complicada..." Nesse sentido, Diamond menciona uma área de pesquisa da sexualidade feminina chamada de estudos de concordância, que investiga a conexão e desconexão entre a resposta sexual fisiológica e a resposta cerebral. Nos homens, na maioria das vezes a excitação sexual subjetiva - ou seja, o que acontece no cérebro - conversa com o que está acontecendo na genitália. O homem sente desejo e tem uma ereção.
Sildenafila para hipertensão pulmonar
No caso das mulheres, é mais comum que ocorra uma desconexão entre as duas esferas. Uma mulher pode ter sinais físicos de excitação - o aumento de fluxo sanguíneo para a vagina e clitóris, por exemplo -, mas não necessariamente sentir desejo ou vontade de se engajar em alguma atividade sexual, e vice-versa. "Pessoalmente acho que muito disso tem a ver com o fato de que, para os meninos, quando estão crescendo, é mais fácil ligar os sentimentos com o que está acontecendo no corpo. Meninas não são encorajadas a explorar o próprio corpo e não têm a menor ideia do que está acontecendo lá embaixo - então muitas mulheres acabam dissociando o corpo da cabeça", diz a pesquisadora. "E a ideia de que você pode consertar isso com uma pílula é uma loucura, é não entender a complexidade do desejo sexual." Outras abordagens farmacológicas - como o Vyleesi, injeção de bremelanotida aprovado nos EUA em 2019 para mulheres em pré-menopausa com baixa libido - tampouco se mostraram frutíferas. Segundo documentos disponíveis na página da FDA na Internet sobre um teste clínico, as mulheres que tomaram flibanserin relataram ter tido, em média, 4,4 experiências sexuais satisfatórias em um mês, contra 3,7 no grupo que consumiu o placebo.
Não é uma solução para todos
Parte do fracasso pode ter relação com o fato de que o desejo tem uma dimensão psicológica relevante para as mulheres. É o que ajuda a explicar, por exemplo, porque a baixa libido as afeta mais que aos homens. Depressão, ansiedade, estresse, baixa autoestima, conflitos no relacionamento, vergonha do parceiro - tudo isso interfere mais no desejo feminino do que no masculino, pontua a professora Lori Brotto, da Universidade da Colúmbia Britânica. "Os homens também se beneficiam dos efeitos dos níveis mais elevados de testosterona, que os permite sentir uma forma mais espontânea de desejo", ela acrescenta. O desejo espontâneo foi durante muito tempo a ideia pré-concebida do que era desejo: uma vontade que simplesmente aparece, como a fome ou a sede.
Interacções medicamentosas
As correntes mais modernas do estudo da sexualidade feminina têm investigado, contudo, o que chamam de desejo sexual responsivo, aquele que surge como consequência de um estímulo. Uma das cientistas que introduziu esse conceito no início dos anos 2000 foi a canadense Rosemary Basson. A pesquisadora também é autora da ideia da resposta sexual cíclica, que questiona o esquema da resposta sexual feminina como algo direto e linear - desejo, excitação, orgasmo e resolução. Para Basson - e uma legião de cientistas hoje -, as coisas não são tão simples assim. O modelo linear tradicional, que vem de estudos das décadas de 60 e 70, ignora o que ela descreve como "componentes importantes da satisfação da mulher: confiança, intimidade, respeito, comunicação, afeto e prazer pelo toque".
Fenômeno de Raynaud
Segundo ela, a resposta sexual das mulheres pode ser linear - quando não têm parceiro fixo, no início de um relacionamento, por exemplo. Já mulheres em relacionamentos mais longos tendem a experimentar a resposta sexual cíclica, em que desejo e excitação são etapas de um processo que se retroalimenta e também envolve intimidade emocional e estímulos sexuais psicológicos. Essa discussão é importante não apenas para entender melhor as mulheres, mas para saber diferenciar o que são problemas que de fato precisam de tratamento e o que é da natureza da sexualidade feminina. Lori Brotto, diretora do Laboratório de Saúde Sexual da Universidade da Colúmbia Britânica, vem estudando o uso de mindfulness (atenção plena) para tratar mulheres com baixa libido, com resultados bastante positivos. Por meio da prática, ela conta, as mulheres conseguiram ganhar mais consciência das mudanças físicas que acontecem antes e durante a atividade sexual - a vasocongestão ou as sensações parecidas com "formigamento" típicas da excitação -, o que pode lhes ajudar a aumentar ou manter o desejo sexual subjetivo. Antes do início do estudo, essa média era de 2,7.
- Os ensaios clínicos com sildenafil em mulheres mostraram melhorias na lubrificação vaginal, mas não na satisfação sexual global ou frequência de orgasmos.
- A Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica não recomenda o uso rotineiro de sildenafil em mulheres, defendendo uma avaliação individualizada e multidisciplinar.
- O custo do sildenafil de marca pode ser elevado e não é comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde para uso feminino off-label.
- Algumas mulheres com síndrome de Sjögren, que causa secura vaginal severa, poderiam teoricamente beneficiar do sildenafil, mas faltam estudos específicos.
- A toma de sildenafil por mulheres com problemas cardíacos não diagnosticados pode precipitar eventos graves, como enfarte do miocárdio.
- O Infarmed monitoriza ativamente reações adversas a medicamentos, incluindo usos off-label, através do Sistema Nacional de Farmacovigilância.
- Não há dados sobre a eficácia ou segurança do sildenafil em mulheres transexuais ou com identidade de género não binária em Portugal.
- A crença de que o sildenafil funciona como um "Viagra feminino" é um equívoco perpetuado por desinformação online e falta de literacia em saúde sexual.
- O uso crónico de sildenafil sem supervisão médica pode levar a dependência psicológica e agravamento de problemas sexuais subjacentes.

